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By Ferramentas Blog

quarta-feira, 21 de abril de 2010

No Compasso das Serenatas

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Terça-feira, 20 de abril de 2010 - Jornal Estado de Minas
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Em mesas distribuídas pela Rua da Quitanda, em Diamantina, público se encanta com performance dos músicos
Foto: Marcelo Sant'anna/EM/DAPress
Nas sacadas


Romantismo invade cidades mineiras com apresentações baseadas em tradições musicais. Depois de Diamantina, Serro e Poços de Caldas, São João del-Rei estreia no cenário das serestas

João Henrique do Vale
“Como pode um peixe vivo, viver fora da água fria, como poderei viver, como poderei viver, sem a tua, sem a tua, sem a tua companhia…”

A música de autor desconhecido que foi gravada, entre outros, por Milton Nascimento, era uma das preferidas pelo ex-presidente diamantinense Juscelino Kubitschek e até hoje faz parte dos repertórios das serenatas mineiras. As músicas que encantavam as antigas donzelas, que ficavam em suas janelas ouvindo a cantoria de homens apaixonados, ainda mexem com os corações do público. Basta conferir a frequência de apresentações em cidades mineiras como Diamantina, Serro, Poços de Caldas e agora São João del-Rei, que têm nas serenatas sua maior inspiração.

Nas sacadas dos casarões antigos da Rua da Quitanda, na cidade de
Diamantina, a 292 quilômetros de Belo Horizonte, um espetáculo musical diferente, a Vesperata, comemora 12 anos. Em 2010 já foram duas apresentações que encantaram a todos – segundo os organizadores, cerca de 2 mil pessoas presenciaram os shows. “Este ano, a novidade fica por conta da troca do maestro e do repertório. Que, como vimos na primeira apresentação, teve aprovação do público”, conta Kátia Aparecida Mota Cordeiro, coordenadora da Banda Mirim, que participa do espetáculo, e também da Orquestra Sinfônica Jovem.

O maestro agora é o major Edson Soares de Oliveira, de 58 anos. Mesmo sendo a sua primeira regência na Vesperata, ele já é experiente. Regeu por cinco anos a Banda do Batalhão, mas mesmo assim o frio na barriga é inevitável. “Nas primeiras apresentações você fica um pouco nervoso, mas a participação do público me ajudou e fez com que o show ficasse muito bonito”, conta Edson. Para as próximas apresentações algumas mudanças estão previstas para melhorar ainda mais a participação do público.
A próxima apresentação está prevista para 24 de abril. A mesa para quatro pessoas custa R$ 60.

Bem pertinho dali, na cidade
do Serro, a 326 quilômetros de Belo Horizonte, o evento musical fica por conta da Bolerata. Realizada nas escadarias da Igreja de Santa Rita, ela segue o estilo da Vesperata de Diamantina, o que difere é o repertório. “É tudo parecido, só que aqui nós tocamos apenas bolero e no fim de cada apresentação temos shows de MPB”, conta o tesoureiro da Associação Serrana de Turismo, que organiza a Bolerata, Rogério Mota Pereira. As apresentações deste ano devem acontecer no segundo semestre.

Na cidade de Poços de Caldas, a 460 km de Belo Horizonte, o show fica por conta da Sinfonia das Águas. Sua primeira apresentação foi em 2006 e teve também como inspiração a Vesperata de Diamantina, mas seu espetáculo é diferente. "Não fazemos apenas apresentações musicais, temos encenações e danças", conta o criador da Sinfonia das Águas, maestro Agenor Ribeiro Neto. Para ele, o evento está cumprindo o seu papel de atrair o turista para a cidade. Desde a primeira apresentação, mais de 120 mil pessoas já assistiram ao espetáculo. "Nossa cidade está ficando lotada e os hotéis todos ocupados. Isso é muito gratificante para nós", afirma Agenor.
A próxima apresentação da Sinfonia das Águas acontece em 23 de abril. Os ingressos custam a partir de R$15.

São João del-Rei, a 185 quilômetros da capital mineira, tb entrou na onda das serenatas e criou a Sinfonia dos Sinos. Recebeu este nome porque o toque dos sinos da cidade foi tombado como patrimônio nacional e material pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Por isso, as apresentações terão início com badaladas de todos os sinos da cidade”, afirma o secretário de Cultura e Turismo de São João del-Rei, Ralph Justino. Segundo ele, o pensamento é transformar a cidade em um grande atrativo mundial. “Queremos receber o título de cidade criativa da música, dado pela Unesco. A única que detém essa condecoração é Veneza”, sonha Ralph.

A música não é uma novidade na cidade, lá há duas orquestras bicentenárias. Para o evento, foi contratado
o maestro Irineu Alex Souza Domingues, um dos criadores da Vesperata. “Fiquei muito feliz com o convite e também muito emocionado com a maneira de como a cidade abraçou o evento”, diz.
A estréia está marcada para o dia 5 de junho.

Calendário

Vesperata
24 de abril
22 e 29 de maio
12 e 26 de junho
3 de julho
7 e 28 de agosto
4 e 25 de setembro
16 e 23 de outubro

Sinfonia dos Sinos
5 de junho
10 de julho
07 de agosto
11 de setembro
16 de outubro

Sinfonia das Águas
23 e 24 de abril
4 e 5 de junho
23 e 24 de julho
4, 5 e 6 de setembro
9 e 10 de outubro
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segunda-feira, 19 de abril de 2010

6ª Cavalgada da Inconfidência

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19 abril 2010

Em homenagem ao mártir

Cavaleiros e amazonas prestam seus respeitos a Tiradentes em momento de emoção durante a 6ª Cavalgada da Inconfidência, que leva o fogo simbólico de Carrancas a Ouro Preto

Foto de Cláudio Xavier

Entre Conselheiro Lafaiete e Ouro Branco participantes passam por locais que viram desenrolar fatos importantes da história mineira, numa grande aventura cívica



Em maio de 1792, oficiais da Coroa Portuguesa pararam diante de uma grande gameleira situada no leito da Estrada Real, num local chamado Varginha do Lourenço, próximo de onde hoje se situa o limite dos municípios de Conselheiro Lafaiete e Ouro Branco, e ali deixaram uma parte do corpo esquartejado de Tiradentes, bem perto de uma estalagem onde os inconfidentes se encontravam para conspirar. Era um recado claro: qualquer tentativa dos brasileiros de se livrar do domínio português seria punida de forma bruta e impiedosa.

Ontem, em frente à gameleira, onde há um monumento com escultura, que lembra esta passagem da história do Brasil e de Minas Gerais, mais de 100 cavaleiros e amazonas participantes da 6ª Cavalgada da Inconfidência Mineira na Estrada Real se reuniram para homenagear o mártir da conspiração. Mesmo demonstrando o cansaço resultante de uma jornada que começou segunda-feira, em Carrancas, todos se emocionaram ao ouvir o Hino Nacional e os pronunciamentos que ressaltavam os ideais da Inconfidência.

Entre os presentes, na primeira fila dos cavaleiros, segurando o chapéu com uma mão e as rédeas com a outra, estava o aposentado Geraldo Magela, de 72 anos, que participa da cavalgada pelo segundo ano consecutivo e, diferentemente de outros ginetes que preferem fazer apenas parte do percurso, vai percorrer todos os 285 quilômetros que separam Carrancas de Ouro Preto. "Só há uma palavra para explicar o que sinto, é emoção", disse Geraldo, enquanto acariciava as crinas do cavalo Palafrém, um animal de sete anos, que ele cria com todo o carinho e que se torna seu companheiro de aventuras na época da cavalgada. "É meu único animal", concluiu, orgulhoso.

Assim como Geraldo, mais de 500 cavaleiros têm se revezado nesta aventura cívica que só se encerra dia 21, quando o fogo simbólico da Inconfidência Mineira, trazido desde Carrancas, for entregue ao governador Antonio Augusto Anastasia, em Ouro Preto. Será o fim de uma jornada que ocorre desde 2005 e, a cada ano, desperta um interesse cada vez maior e aumenta de importância.

"Em 2011, se tudo correr bem, vamos fazer o percurso completo da Estrada Real, saindo de Paraty, no Rio de Janeiro, e chegando a Ouro Preto", informa Hélio Agostinho Campos, vice-presidente do Clube do Cavalo de Conselheiro Lafaiete e um dos maiores entusiastas da iniciativa. "Estamos criando a Associação dos Clubes de Cavalo da Estrada Real justamente para concretizar essa ideia”, explica.

O sucesso da cavalgada, segundo o major PM José César de Paula, se deve ao fato de a região de Conselheiro Lafaiete ser um berço de criação de cavalos da raça campolina no país e ao forte senso de civismo da população local. Um dos organizadores do evento e sócio do Clube do Cavalo de Lafaiete, o militar trocou a folga no fim de semana pela cavalgada e, a todo momento, orientava e incentivava os participantes. “Por causa do trabalho, não posso fazer todo o trajeto, mas não tenho como abrir mão de participar desse evento, que mistura civismo, cultura e turismo.”

O major lembrou que a Cavalgada da Inconfidência surgiu depois que a cerimônia de transporte do fogo simbólico, que era feita por integrantes da Polícia Militar, que percorriam a pé um trecho da Estrada Real, foi extinta pelo governo do Estado, como forma de conter custos, em 2004. “Fizemos a primeira em 2005 e, de lá para cá, o esforço conjunto para viabilizar a cavalgada só tem aumentado. As prefeituras, os clubes de cavalo dos municípios por onde passamos, o governo de Minas e a Polícia Militar, que nos dá todo o apoio logístico, todos se unem e o resultado aí está.”